27.12.20

Ad aeterneum

É inerente aos ser humano acreditar que tudo é para sempre.

Quem um dia, não achou que fosse morrer com a dor de uma amor não correspondido, não teve uma decepção que dilacerasse o coração ou  teve vontade de se trancar no quarto achando que nunca iriam esquecer o mico que acabara de pagar.

Mas  sobrevivemos e ainda custamos a acreditar que tudo... passa!
Os momentos felizes? Eles acabam! E  por isso é preciso vivê-los  profundamente, com intensidade, sem medo porque indubitavelmente eles se vão.

Mas como a vida é engenhosa o mesmo se aplica à dor. Não existe sofrimento incessante, por maior que seja, portanto martirizar-se não é a melhor forma de passar pelos momentos  difíceis. Confesso que não sei a receita para esses momentos. Hoje, na minha experiência, tomo consciência deles e aguardo pacientemente a hora em que eles se vão. 
A certeza de que nada é para sempre me acalenta.

Nenhum sofrimento assim como os momentos felizes duram "ad aeternum".
Acredito que essa é uma das belezas da vida: não é possível estar feliz o tempo todo, isso é decepcionante mas natural; e nem tristes ou sofrendo para sempre (que alívio!).

Penso que quando aceitarmos que "pra sempre sempre acaba" viveremos muito melhor.