29.11.09

Velhos Hábitos

Dizem que “pau que nasce torto, morre torto”.
Tal expressão se justifica pelo fato de que, embora não seja impossível, é muito difícil mudar velhos hábitos.
Como parte de novas resoluções venho tentando modificar algumas coisas em mim. Que tarefa árdua!
Semelhante a uma erva daninha que você arranca, mas insiste em crescer outra vez, o hábito já adquirido teima em reclamar seu espaço.
Quando finalmente acho que estou livre e descuido, me flagro fazendo tudo de novo.
Conclusão: é preciso policiamento constante porque aquilo que foi trancafiado numa gaveta escondidinha no fundo mente sempre dará sinal de existência.
Como não pretendo morrer com convicções e comportamentos imutáveis – eles de fato impedem que a vida seja plena - vou tentando com certa dificuldade contrariar o ditado acima.
E sigo em frente porque o prazer da mudança vale a pena o esforço

Desencanto

Desencanto
Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue.Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca,
dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
Eu faço versos como quem morre.
Manuel Bandeira

15.11.09

Liberdade e Permissividade



Há pouco tempo atrás éramos dominados pelo medo, censura, e repreensão. O que era certo ou errado não dependia das nossas percepções, mas sim de alguém que nos dissesse. Diversos movimentos e a própria clareza do pensamento foram nos aproximando de nós mesmos.
Hoje experimentamos a era da liberdade.
Temos consciência que somos livres para fazer aquilo que mais nos convém.
Se o excesso de controle nos incomodava, o mau uso da nossa liberdade também está causando situações que geram no mínimo muita discussão.
É o caso da aluna da Unibam. Ela tem a liberdade de decidir qual roupa usar e o que mostrar. O seu direito é inquestionável! Mas isso não a impede de pensando na coletividade, escolher o que mais se ajusta ao ambiente em que está.
Os colegas têm liberdade de achar a roupa provocante, de não concordar com o modo como ela se vestiu. O direito a livre opinião. Mas isso não lhes permite agirem como um bando de ensandecidos e ofendê-la.
A faculdade pode fazer recomendações quanto à maneira de se vestir, mas não pode expulsar um aluno por algo que afeta apenas a pessoa em questão.
A solução para esse e tantos absurdos é compreender que a liberdade caminha ao lado do respeito tanto a si próprio quanto ao outro.

8.11.09

Olhos abertos

Um dia me disseram
Que as nuvens
Não eram de algodão
Um dia me disseram
Que os ventos
Às vezes erram a direção
E tudo ficou tão claro
Um intervalo na escuridão
Uma estrela de brilho raro
Um disparo para um coração...

(...)

Um dia me disseram
Quem eram os donos
Da situação
Sem querer eles me deram
As chaves que abrem
Essa prisão
E tudo ficou tão claro
O que era raro, ficou comum
Como um dia depois do outro
Como um dia, um dia comum...



Aprendi a gostar dessa música há muito tempo e desde então tentava entendê--la.
Passava horas imaginando como alguém se deixaria enganar achando que as nuvens poderiam ser de algodão.
No tipo de vida que levava sempre em contato com a realidade, sem espaços para fantasias, tudo parecia muito óbvio.
Mas pensava também um dia entender o poeta desiludido.
Os anos se passaram e dia desses ouvi novamente essa canção. Diante de situações vividas pude perceber que mesmo sem querer estamos cercados de falsas impressões. O que passamos a vida acreditando ser - pode, de repente - não ser!!
Algumas dessas falsas impressões não nos fazem mal, pelo contrário até são necessárias para manter a sanidade.
Mas existem outras que quando descobertas nos atropelam mudando rumo de nossas crenças.
Hoje, finalmente entendo a música, e tão importante quanto descobrir que “as nuvens não são feitas de algodão” é usar a chave que nos liberta de alguma possível prisão!

7.11.09

Noticia "antiga"




Todo mundo esperou, viu o resultado e comentou. Pronto já é noticia antiga.
Mas como meu compromisso, graças a Deus, não é jornalístico ainda ouso escrever sobre a boa nova para a América do Sul: A escolha do Rio para ser a sede das Olimpíadas de 2016.
Feito o anúncio, seguiu uma legião de especialistas com argumentos contra a escolha. Uns dizem que se não aproveitado o legado não justifica os custos, que é difícil conter a violência, que haverá superfaturamento nas obras, temem o viés político, acham o dinheiro deveria ser investido em educação e por aí vai.
Favoráveis à escolha afirmam que o legado de uma Olimpíada é inquestionável.
Mesmo sem estar alheia a isso tudo viajo na História e nela baseio minha alegria em ver um evento dessa magnitude no meu continente. A escolha do Rio não é apenas uma vitória sobre as outras sedes.
Por séculos o lado de cá foi considerado como inferior, existindo apenas para satisfazer em todos os sentidos aquelas nações cuja superioridade julgava-se inconteste. Fomos vistos e tratados como seres de segunda classe, incapazes de produzir algo relevante para a humanidade haja vista as colonizações que devastaram povos e culturas.
A escolha do Rio é antes de tudo, o nosso reconhecimento histórico como povo e a prova de que somos capazes. É admitir que os tempos mudaram e que todas as nações, com sua singularidades são importantes no mundo. O COI se rendeu a esse fato.
Esse é o motivo da minha alegria.

Agora é fazer bem feito...