8.11.09

Olhos abertos

Um dia me disseram
Que as nuvens
Não eram de algodão
Um dia me disseram
Que os ventos
Às vezes erram a direção
E tudo ficou tão claro
Um intervalo na escuridão
Uma estrela de brilho raro
Um disparo para um coração...

(...)

Um dia me disseram
Quem eram os donos
Da situação
Sem querer eles me deram
As chaves que abrem
Essa prisão
E tudo ficou tão claro
O que era raro, ficou comum
Como um dia depois do outro
Como um dia, um dia comum...



Aprendi a gostar dessa música há muito tempo e desde então tentava entendê--la.
Passava horas imaginando como alguém se deixaria enganar achando que as nuvens poderiam ser de algodão.
No tipo de vida que levava sempre em contato com a realidade, sem espaços para fantasias, tudo parecia muito óbvio.
Mas pensava também um dia entender o poeta desiludido.
Os anos se passaram e dia desses ouvi novamente essa canção. Diante de situações vividas pude perceber que mesmo sem querer estamos cercados de falsas impressões. O que passamos a vida acreditando ser - pode, de repente - não ser!!
Algumas dessas falsas impressões não nos fazem mal, pelo contrário até são necessárias para manter a sanidade.
Mas existem outras que quando descobertas nos atropelam mudando rumo de nossas crenças.
Hoje, finalmente entendo a música, e tão importante quanto descobrir que “as nuvens não são feitas de algodão” é usar a chave que nos liberta de alguma possível prisão!