Confissões
As palavras sempre me fascinaram desde a infância. Esse fascínio ficou adormecido diante das escolhas e voltas da vida. Vê-lo acordar é sem dúvida um prazer imenso!!
27.12.20
Ad aeterneum
22.4.20
Renascer das águas
O choro debaixo do chuveiro é o precursor de mudanças. Não daquelas que se deseja, sonha e busca, mas a que vem empurrada pelos solavancos da vida. Sendo assim, é sofrido, selvagem e ressentido.
Ele vem com uma dor, que arranca o fôlego, embaralha pensamentos e sentimentos. Não é possível discernir se é tristeza, decepção, arrependimento, raiva ou desolação. Só é possível sentir um buraco no peito.Esse buraco se alimenta de lágrimas.
E debaixo do chuveiro a água leva consigo as lágrimas e todas as certezas a respeito de si, do outro e do mundo. A alma nesse momento está exposta assim como a fraqueza.
Como um ovo cozido, que descascado embaixo d'agua perde exatamente o que o protegia de ser consumido, dá pra medir o tamanho de qualquer vulnerabilidade.
Mas, o passar do tempo e a água a escorrer pela cabeça têm a capacidade resgatar o mínimo de lucidez- ainda que momentaneamente.
Ao desligar o chuveiro, o ralo engole o último resquício da pessoa que um dia fora. O corpo volta a sentir a realidade. A mudança já aconteceu.
Ao contrário do ovo, não somos devorados, ou pelo menos não deveríamos ser. A pouca lucidez permite avaliar as possíveis fraquezas e ainda que inconscientemente luta-se para combatê-las.
Uma nova casca é criada, e desta vez, julga-se que ela seja forte e impenetrável.
Ah! Doce ilusão!
Essa nova armadura, é eficaz apenas para as coisas sutis e boas da vida. Justamente as que dão a leveza necessária para que se continue a viver.
Essa armadura, casca é, portanto, uma armadilha que se converte numa amarga prisão.
É quase certo que voltemos a chorar no chuveiro - é a vida! - mas isso não pode e nem deve servir de subterfúgio para que se construa couraça e muros que aprisionem.
Enfrente. Em frente!
29.5.12
Uma Louca Tempestade
Eu quero seguir a estrela
Eu quero sentir o vento pela pele
Um pensamento me fará
Uma louca tempestade...
Eu quero sentir a noite
Eu quero olhar as luzes
Que teus olhos
Não me têm deixado ver
Agora eu vou viver...
6.5.12
5.2.11
MOMENTO FIM DO POÇO...
(...)
Mê de motivo, foi jogo sujo
E agora eu fujo, pra não sofrer
Fui teu amigo, te dei o mundo
Você foi fundo, quis me perder
Agora é tarde, não tem mais jeito
O teu defeito, não tem perdão
Eu vou a luta, que a vida é curta
Não vale a pena, sofrer em vão
Pode crer você pôs tudo a perder
Não podia me fazer o que fez
E por mais que você tente negar, me dê motivo
Podes crer eu vou sair por aí
E mostrar que posso ser bem feliz
Encontrar alguém que saiba me dar
Me dar motivo
(...)
27.1.11
onde se come...
7.8.10
11.4.10
Toda vez que escuto essa música tenho vontade de me apaixonar!
A Festa
Já falei tantas vezes
Do verde nos teus olhos
Todos os sentimentos me tocam a alma
Alegria ou tristeza
Se espalhando no campo, no canto, no gesto
No sonho, na vida
Mas agora é o balanço
Essa dança nos toma
Esse som nos abraça, meu amor (você tem a mim)
O teu corpo moreno
Vai abrindo caminhos
Acelera meu peito,
Nem acredito no sonho que vejo
E seguimos dançando
Um balanço malandro
E tudo rodando
Parece que o mundo foi feito prá nós
Nesse som que nos toca
Pôr do sol e aurora
Norte, sul, leste, oeste
Lua, nuvens, estrelas
A banda toca
Parece magia
E é pura beleza
E essa música sente
E parece que a gente
Se enrola, corrente
E tão de repente você tem a mim
Me abraça, me aperta
Me prende em tuas pernas
Me prende, me força, me roda, me encanta
Me enfeita num beijo
Compositor: Milton Nascimento
10.4.10
23.3.10
12.3.10
Cantadas de Peão
11.2.10
"Estou de volta pro meu aconchego
26.12.09
segredo de família
29.11.09
Velhos Hábitos
Tal expressão se justifica pelo fato de que, embora não seja impossível, é muito difícil mudar velhos hábitos.
Como parte de novas resoluções venho tentando modificar algumas coisas em mim. Que tarefa árdua!
Semelhante a uma erva daninha que você arranca, mas insiste em crescer outra vez, o hábito já adquirido teima em reclamar seu espaço.
Quando finalmente acho que estou livre e descuido, me flagro fazendo tudo de novo.
Conclusão: é preciso policiamento constante porque aquilo que foi trancafiado numa gaveta escondidinha no fundo mente sempre dará sinal de existência.
Como não pretendo morrer com convicções e comportamentos imutáveis – eles de fato impedem que a vida seja plena - vou tentando com certa dificuldade contrariar o ditado acima.
Desencanto
15.11.09
Liberdade e Permissividade
Há pouco tempo atrás éramos dominados pelo medo, censura, e repreensão. O que era certo ou errado não dependia das nossas percepções, mas sim de alguém que nos dissesse. Diversos movimentos e a própria clareza do pensamento foram nos aproximando de nós mesmos.
Hoje experimentamos a era da liberdade.
Temos consciência que somos livres para fazer aquilo que mais nos convém.
Se o excesso de controle nos incomodava, o mau uso da nossa liberdade também está causando situações que geram no mínimo muita discussão.
É o caso da aluna da Unibam. Ela tem a liberdade de decidir qual roupa usar e o que mostrar. O seu direito é inquestionável! Mas isso não a impede de pensando na coletividade, escolher o que mais se ajusta ao ambiente em que está.
Os colegas têm liberdade de achar a roupa provocante, de não concordar com o modo como ela se vestiu. O direito a livre opinião. Mas isso não lhes permite agirem como um bando de ensandecidos e ofendê-la.
A faculdade pode fazer recomendações quanto à maneira de se vestir, mas não pode expulsar um aluno por algo que afeta apenas a pessoa em questão.
A solução para esse e tantos absurdos é compreender que a liberdade caminha ao lado do respeito tanto a si próprio quanto ao outro.
8.11.09
Olhos abertos
Um dia me disseram
(...)
Um dia me disseram
Aprendi a gostar dessa música há muito tempo e desde então tentava entendê--la.
Passava horas imaginando como alguém se deixaria enganar achando que as nuvens poderiam ser de algodão.
No tipo de vida que levava sempre em contato com a realidade, sem espaços para fantasias, tudo parecia muito óbvio.
Mas pensava também um dia entender o poeta desiludido.
Os anos se passaram e dia desses ouvi novamente essa canção. Diante de situações vividas pude perceber que mesmo sem querer estamos cercados de falsas impressões. O que passamos a vida acreditando ser - pode, de repente - não ser!!
Algumas dessas falsas impressões não nos fazem mal, pelo contrário até são necessárias para manter a sanidade.
Mas existem outras que quando descobertas nos atropelam mudando rumo de nossas crenças.
Hoje, finalmente entendo a música, e tão importante quanto descobrir que “as nuvens não são feitas de algodão” é usar a chave que nos liberta de alguma possível prisão!
7.11.09
Noticia "antiga"

Todo mundo esperou, viu o resultado e comentou. Pronto já é noticia antiga.
Mas como meu compromisso, graças a Deus, não é jornalístico ainda ouso escrever sobre a boa nova para a América do Sul: A escolha do Rio para ser a sede das Olimpíadas de 2016.
Feito o anúncio, seguiu uma legião de especialistas com argumentos contra a escolha. Uns dizem que se não aproveitado o legado não justifica os custos, que é difícil conter a violência, que haverá superfaturamento nas obras, temem o viés político, acham o dinheiro deveria ser investido em educação e por aí vai.
Favoráveis à escolha afirmam que o legado de uma Olimpíada é inquestionável.
Mesmo sem estar alheia a isso tudo viajo na História e nela baseio minha alegria em ver um evento dessa magnitude no meu continente. A escolha do Rio não é apenas uma vitória sobre as outras sedes.
Por séculos o lado de cá foi considerado como inferior, existindo apenas para satisfazer em todos os sentidos aquelas nações cuja superioridade julgava-se inconteste. Fomos vistos e tratados como seres de segunda classe, incapazes de produzir algo relevante para a humanidade haja vista as colonizações que devastaram povos e culturas.
A escolha do Rio é antes de tudo, o nosso reconhecimento histórico como povo e a prova de que somos capazes. É admitir que os tempos mudaram e que todas as nações, com sua singularidades são importantes no mundo. O COI se rendeu a esse fato.
Esse é o motivo da minha alegria.
24.10.09

O futebol entrou na minha vida quando ainda era criança.Ao ver meu irmão Diniz se encantar, vibrar apaixonado e se transfigurar ora em tristeza ora em alegria quis descobrir o que alimentava tais sentimentos.
Nascia assim o meu gosto por futebol e claro simpatia pelo time que ele torcia, o Flamengo.
Dessa época lembro-me apenas da Copa de 82. Eu chorava uma dor que nem entendia direito.Até hoje sou motivo de piada dizendo de cara emburrada que não seria mais brasileira, só mineira!
Desde então o famoso esporte bretão me acompanha e fascina. Os dribles, as surpresas, o resultado improvável, a polêmica do “foi ou não foi”, fazem do futebol o melhor dos esportes!
O momento mais sublime é quando a bola caprichosa entra na rede e o grito - “É GOL!!!” -pode sair da garganta. Nessa hora a sensação é de que toda alegria do mundo cabe no peito!
Admirando tanto futebol tive que jogar e pude sentir o prazer que é fazer um gol: correr, observar a possibilidade, chutar e ver a rede balançando. Por instantes o mundo nos pertence!
Ah! Só o futebol.
6.9.09
Uma pessoa com quem convivo há bastante fez uma coisa que achava que ela nunca fosse fazer.
Sabe quando se diz “fulano não seria capaz disso”, baseado no que você conhece da pessoa e no que ela demonstra ser e até diz, pois é, acabo de crer que é pura engano. Não conhecemos nem nós mesmos, que dirá os outros.
Mesmo sabendo disso ainda nos surpreendemos, ou até nos desiludimos com o que a atitude do outro, seja por não concordar ou pela raiva de se achar bobo em não ter prestado a devida atenção.
Fato é que me veio a pergunta:
Daquilo que acredito, dos meus conceitos e valores será que mesmo assim sei do que sou capaz?
Talvez seja mais fácil na teoria, mas diante de uma situação prática e em benefício próprio está o desafio de se manter coerente.
Posso falar apenas de mim, e diante de tantos acontecimentos e descobertas, nem com tanta certeza afinal...
Do que sou capaz??
29.8.09
Mudança
Já não sou como era antes em muitos aspectos entre eles no modo de agir e nas minhas convicções. Só faltava mudar algo no corpo - não, eu não emagreci-.
Mas fiz algo que há tempos queria, mas não tinha coragem: Uma tatuagem! Isso mesmo!
Essa foto aí ao lado é do meu lindo pé agora tatuado. Esse foi o presente de aniversário que dei pra mim.
Foi feita no dia 09 com o tatuador Adriane aqui de Miguel Pereira. Devo confessar que doeu bastante, mas resisti bravamente e o resultado foi ótimo.
Estou muito contente por ter concretizado algo que tanto esperei.
O motivo do desenho é homenagear três pessoas que amo incondicionalmente, a razão da minha vida, são parte de mim e estarão sempre comigo: Sarah, João Vítor e Mariana.
13.8.09

11.7.09
É pior que paixão não correspondida, que dor de cotovelo,
É aquele sentimento que todos querem evitar. É aquela dor no peito que causa um vazio, um buraco negro que suga outros sentimentos, que mina forças e crenças.
Decepcionar-se é quase inevitável. Isto só acontece quando você espera alguma coisa de uma determinada situação ou de pessoas.
Agora me diga quem não cria expectativas?? Ou diga-me como não criá-las!!
Pois essa seria a única forma de não se decepcionar.
Criar expectativas faz parte de nós. Vai para algum lugar: pronto você se pega imaginando como pode ser mesmo sabendo que vai ser diferente do que você imaginou. É o suficiente para decepcionar-se.
Mas lugares, trabalhos, situações são mais fáceis de lidar. Você usa um jogo de cintura, um jeitinho e contorna ou aprende a superar.
Difícil mesmo é quando se trata de pessoas. Não é possível conhecer o ser humano. Sempre há uma surpresa, um comportamento diferente, explicado pelas mudanças naturais pelas quais passam todos.
Exatamente por isso, não deveríamos nunca criar expectativas quando tudo não depende exclusivamente de nós, o que convenhamos é muito complicado. Mas saber e fazer são coisas distintas.
Acredito que o segredo está em tentar levar a vida o mais leve possível, sem ansiedade.
É o que venho tentando fazer...
7.7.09
Aqui é so ler e rir à vontade!!
Eis a primeira...
FANTASIA DO NEGÃO
O negão chega pra esposa e fala:
- Mulher, faz uma fantasia pra mim que sexta tem baile no trabalho e eu
quero abafar..
No dia seguinte o cara chega, e em cima da sua cama tem uma fantasia do
Super-Homem, com capa e tudo, que sua esposa fez na medida.
E ele reclama:
- Você tá maluca, mulher? Eu sou negro! Como é que eu vou de
Super-Homem? Já viu Super-Homem negro, sua louca? Trata de fazer outra fantasia para amanhã.
No dia seguinte, ele chega e tem uma fantasia do Batman, que a mulher
fez com a maior dificuldade, mas no capricho. E ele mais uma vez:
- Vai ser burra assim no inferno ! Por acaso você já viu Batman negro? Se eu vestir esta coisa, todo mundo vai me gozar!!! Faz outra fantasia, que a festa é amanhã e eu quero tá nos trinque!
Quando chega em casa, depois do trabalho, ele vê três botões brancos bem
grandes em cima da cama, um cinto branco e um pedaço de pau. Não
entendendo nada, ele pergunta para a mulher:
- Que merda de fantasia é essa???
Ela responde:
- Você tem três opções: pode colocar os botões no peito e ir de dominó,
pode colocar o cinto branco e ir de biscoito negresco e, se não gostar
de nenhuma das duas, enfia o pau no rabo e vai de chicabon!
27.6.09
Deixei-a ali quando vim ser quem sou.
Mas hoje vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde fica.
Ah, como hei de encontrá-la? Quem errou?
A vida tem a regressão errada
Já não sei de onde vim, nem onde estou
De o não saber, minha alma está parada.
Se ao menos atingir nesse lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esquecí, olhando-o relembrar
Na ausência, ao menos saberei de mim
E, ao ver-me tal qual fui ao longe achar
Em mim, um pouco de quando era assim.
Fernando Pessoa
29.5.09
Foi nele que me apaixonei pelo poeminha do contra que só depois descobri que era de Mário Quintana, poeta que admiro.
Era assídua da biblioteca da escola Themis A. Vieira e nela conheci a coleção Vagalume: O caso da borboleta Atíria, Um cadáver ouve rádio. Ô tempo bom!
Há pouco tempo retomei este antigo hábito e redescobri o prazer de ler.
Os filhos pequenos, cuidados com a casa e outras preocupações não me permitiam desfrutar de uma boa e calma leitura. Mas estou de volta ao fantástico mundo dos livros e convido quem quiser a aventurar-se comigo!
10.5.09
Saudades...
Eu me lembro do teu rosto,
Da tua voz, do teu sorriso.
Do seu jeito ...
Lembro-me das tuas gargalhadas sonoras que contagiavam o ambiente.
Lembro-me da tua mão, do teu carinho,
Que ao fechar os olhos ainda posso sentir.
Lembro-me dos desenhos em que eu segurava tua mão.
Lembro-me das broncas, brigas.
Mas lembro da frase “É para o seu bem” que só hoje entendo.
Lembro-me das vezes em que te vi chorando e mesmo sem saber o motivo quis chorar também.
Lembro da tua doçura.
Do teu sofrimento.
E da tua força.
Quisera que tu estivesses hoje comigo!
Mesmo sabendo que sou parte do que tu eras.
Ah, mãe, que saudade!!
Que boas lembranças foram deixadas!
3.5.09
O crime e o castigo
Quem já não cometeu um “crime”? Fez algo considerado errado mesmo pequenininho.
Quando criança o resultado imediato de algo que não deveria ser feito era um tremendo castigo. É claro que isso não impedia de aventurar-se pelos caminhos do proibido que se não gostoso e no mínimo curioso. Mesmo sabendo que o castigo viria.
Mas crescemos e de certa forma viramos senhores daquilo que devemos ou não fazer. Não nos importa muito a opinião alheia e às vezes o resultado da nossa ação.
Há quem diga que castigo vem a cavalo...
Há quem diga que vem a jato...
Há quem diga que ele não vem...
10.4.09
Mário Quintana
Não fique procurando cada ponto fraco meu .
Se ninguém resiste a uma análise profunda.
Quanto mais eu. Ciumento,exigente,inseguro,carente.
Todo cheio de marcas que a vida deixou.
Vejo em cada grito de exigência,
um pedido de carência, um pedido de amor.
Amor é síntese.
É uma integração de dados.
Não há que tirar nem pôr.
Não me corte em fatias.
Ninguém consegue abraçar um pedaço.
Me envolva todo em seus braços.
E eu serei perfeito amor.
Mário Quintana
9.4.09
No momento estou empenhada em projetos individuais que demandam tempo, esforço e sobretudo paciência.
Confesso que executá-los vai exigir de mim mais do que imaginava, afinal, na realidade as coisas são diferentes. Fazer avanços aqui, retroceder acolá é o que mais tenho feito ultimamente. Há muita coisa em jogo e pensar muito em cada detalhe envolvido é uma pressão a mais.
Porém tudo isso faz parte de um processo necessário, sem volta e que quero encarar com determinação.
16.3.09
Sobre a Ingenuidade
Nos dias atuais parece não haver espaço para ingenuidade. Ser ingênuo virou sinônimo de bobo e isso ninguém quer ser. Num mundo onde muitos querem levar vantagem sobre alguma coisa o ingênuo é realmente alvo fácil.
Desconfiar de tudo e de todos, pensam alguns, é o melhor antídoto para a ingenuidade.
Não consigo realmente concordar com isso. Gosto e prefiro acreditar nos outros. Se alguém me diz uma coisa não vejo por que não acreditar no que foi dito (salvo raras exceções).
O fato de ter que sempre desconfiar me incomoda. É claro que sofro com isso, afinal as decepções são certas assim como fazer o papel de idiota, mas não consigo deixar de crer totalmente nas pessoas.
Hoje sei que preciso utilizar mais da malícia, mas reluto em usá-la com banalidade por que isso nos desumaniza. Os extremos são todos prejudiciais sei bem, não dá para acreditar em tudo e todos, mas nunca acreditar também não é uma coisa boa.
Sigo acreditando e cada vez que faço isso me sinto melhor mesmo que depois...
11.3.09
DO MAL E DO BEM
Todos tem seus encantos: os santos e o corruptos.
Não há coisa, na vida, inteiramente má.
Tu dizes que a verdade produz frutos...
Já viste as flores que a mentira dá?
DA PAZ INTERIOR
O sossego interior, se queres atingi-lo,
Não deixes coisa alguma incompleta ou adiada.
Não há nada que dê um sono mais tranqüilo
Que uma vingança bem executada...
DA ETERNA PROCURA
Só o desejo inquieto, que não passa,
Faz o encanto da coisa desejada...
E terminamos desdenhando a caça
Pela doida aventura da caçada.
DO ESPETÁCULO DE SI MESMO
Conhecer a si mesmo é inútil, parece,
Mas sempre diverte um pouco...
Coisa assim como um louco que tivesse
Consciência de que é louco...
DO QUE ELAS DIZEM
O que elas dizem nunca tem sentido?
Que importa? Escuta-as um momento.
Como que ouve, entre encanto e distraído,
A voz das águas... o rumor do vento...
DAS LEIS DA NATUREZA
Falar contra as mulheres...
Que ingenuidade a tua!
Diz-me, acaso queres
Ironizar as variações da lua?
DOS PONTOS DE VISTA
A mosca, a debater-se: “Não! Deus não existe!”
Somente o acaso rege a terrena existência.”.
A aranha: ”Glória a Ti, Divina Providência,
Que à minha humilde teia essa mosca atraíste!”
Diz o elefante às Rãs que em torno dele saltam:
“Mais compostura! Ó céus que piruetas incríveis!”
Pois são sempre, nos outros, desprezíveis
As qualidades que nos faltam...
DA MANEIRA COMO AMAR SEUS INIMIGOS
Novo inimigo tens? Não te cause pesar
Tão risonho motivo...
No dia em que triunfes, hás de achar
Na cara dele o teu prazer mais vivo.
Não te abras com teu amigo
Que ele outro amigo tem.
E o amigo de teu amigo
Possui amigos também...
26.2.09
Resolução 01/09
Aquelas que a gente quase sempre não cumpre, mas insiste em fazer todo dia 31 de dezembro.
Pois é, depois de pensar por muito tempo, fiz as minhas nas horas finais de 2008. Uma delas foi que em 2009 eu iria depois de quatro anos com carteira de motorista enfim dirigir. Não que já não tivesse prometido em outras vezes, mas dessa vez seria diferente, jurei a mim mesma.
Cheia de coragem (!!) e para espantar o medo peguei no carango logo no dia primeiro, assim não teria mais volta.
Depois uma voltinha, aqui, outra ali e já se passaram dois meses e junto com eles também os apertos: carro que morre, marcha que arranha, perna bamba e muito suor na testa! Ainda há muita coisa pela frente, eu sei.
Mas a alegria de ver um objetivo sendo alcançado, o prazer da superação e a sensação de que estou não apenas dominando um carro, mas tomando as rédeas da minha vida enchem meu peito de uma felicidade imensa que precisa ser compartilhada.
24.2.09
A criança que fui chora na estrada
Deixei-ali quando vim ser quem sou,
Mas hoje vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui, onde fica.
Ah, como hei de encontrá-la? Quem errou
A vida tem a regressão errada
Já não sei de onde vim nem onde estou
De o não saber, minha alma está parada.
Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa, enfim
O que esquecí, olhando relembrar
Na ausência, ao menos saberei de mim
E, ao ver-me tal qual fui ao longe achar
Em mim, um pouco de quando era .
17.2.09
Nem me lembro da última vez que choveu tanto tempo como nos últimos dias. Segundo minha frágil memória este ciclo de chuvas começou no fim de novembro, se fez presente no mês de dezembro todo e ficou até os primeiros dias de janeiro.
E causou tragédia que embora anunciada - afinal construir às margens dos rios, nas encostas de morros é risco mas também única opção para um povo sofrido – ninguém queria ver acontecer e
causou dor para muitos.
A chuva como fenômeno natural é importante para a subsistência do ser humano e a ela não deve ser imputada nenhuma culpa, mas na dificuldade e necessidade em achar um culpado sobra para ela mesmo.
Mas de qualquer forma esse período de chuvas intensas e incessantes parece ter dado trégua. Hoje temos apenas a chuva típica de verão: escurece o céu, venta parecendo derrubar tudo, fecha o tempo e então chove forte, lavando céu e terra.
Lembro-me então de situações da vida que se assemelham a uma forte tempestade e parecem ser devastadoras.
Mas quando a chuva de verão passa revela um sol brilhante, o céu lindo, o ar mais leve e isso me dão certeza de que depois de uma forte tempestade, mesmo que as coisas mudem pela força com que ela veio há sempre o alento e esperança de que estamos prontos para recomeçar!!
5.2.09
Dividindo palavras
sinto vontade, necessidade e dever de postá-las.
Aí vão...
Olhos de criança
Há momentos em que tudo parece perdido,
As coisas sem sentido
Na procura por si mesmo não se acha solução
Então, o que resta fazer é aquietar o alma
Deixar o espírito sossegando
A mente livre a vagar
Os pensamentos soltos
É voltar a ser criança
E passear alforriado na imaginação
Onde tudo é colorido e sem preocupação
E com esse sentimento
Surge enfim a esperança
De que nos problemas da vida
Ás vezes a melhor saída
É olhar com olhos de criança!!
17.1.09
Se eu fosse um padre, eu , nos meus sermões
não falaria em Deus nem no Pecado - muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,
Não citaria santos e profetas: nada das suas celestiais promessas ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,
Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera fossem meus!
Porque a poesia purifica a alma
e um belo poema - ainda que de Deus se aparte - sempre coloca o poeta face a face com Deus!!
Uma das coisas que gosto é de poesia.Só ela pode falar com requinte exatamente o que sentimos ou pensamos.Quando lí este poema do Mário Quintana fui ao paraíso!! Ele expressa o com clareza a sensação que eu tenho ao ler um boa poesia: primeiro um enorme vazio como se estivesse despida de tudo que possa corromper o que foi lido, depois uma calmaria, um bem-estar e por instantes uma certeza de que o mundo pode ser melhor.
Escrever uma poesia é ter essa sensação inúmeras vezes multiplicada, por isso, até arrisco com muita modéstia a escrevê-las.
Um dia, quem sabe, elas estarão aqui!!!
28.6.07
Meu coração está aos pulos! Quantas vezes minha esperança será posta a prova? Por quantas provas terá ela que passar?Tudo isso que está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro. Do meu dinheiro, do nosso dinheiro que reservamos duramente pra educar os meninos mais pobres que nós, pra cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais. Esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais. Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta a prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz. Meu coração tá no escuro. A luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e todos os justos que os precederam. 'Não roubarás!', 'Devolva o lápis do coleguinha', 'Esse apontador não é seu, minha filha'. Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar! Até habeas corpus preventiva, coisa da qual nunca tinha visto falar, sobre o qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará! Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear! Mais honesta ainda eu vou ficar! Só de sacanagem!Dirão: 'Deixe de ser boba! Desde Cabral que aqui todo mundo rouba!E eu vou dizer: 'Não importa! Será esse o meu carnaval! Vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos.' Vamo pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo, a gente consegue ser livre, ético e o escambal.Dirão: 'É inútil! Todo mundo aqui é corrupto desde o primeiro homem que veio de Portugal!'E eu direi: 'Não admito! Minha esperança é imortal, ouviram? Imortal!'Sei que não dá pra mudar o começo, mas, se a gente quizer, vai dar pra mudar o final!
27.3.07
Um dia Feliz...
3.1.07
Aos pais
" Se um dia já homem feito e realizado, sentires que a terra cede aos teus pés, que tuas obras desmoronam, que não há ninguém à tua volta para te estender a mão , esquece a tua maturidade, volta à tua infância e balbucia, entre lágrimas e esperanças as últimas palavras que sempre te restarão na alma: minha mãe, meu pai.”
Rui Barbosa
É impressionante a força que nossos pais exercem sobre nós. Quando criança não resistimos a ela seja por admiração, respeito ou até por medo. Ao crescer essa força nos incomoda e contra ela e eles travamos batalhas que hoje descubro serem inócuas. Lembro-me dos conselhos, do “ouvido sendo alugado” e de como desejava ser adulta para não necessitar ouvir mais nada. O amadurecimento veio mas continuo precisando “ouvir”. A diferença é que agora não tem mais alguém que diga. Não como pai e mãe que falam sempre querendo o melhor para o filho. E o fazem de um jeito muito peculiar que ninguém por mais que tente pode fazer igual.
23.7.06
O tempo não pára...
Do tempo que começa quando ainda nem sabemos que ele existe, mas que está conosco, queiramos ou não e que assim, de repente, como numa revelação se apresenta na criança que cresceu, na ruga que surgiu e no amadurecimento das concepções.
Quando olho para trás e vejo que o tempo transformou-me numa pessoa melhor, fico feliz e ao contrário de muitos acredito que o tempo, apesar de tudo, é nosso amigo.
Mas como diz o poeta " o tempo não pára" por isso é preciso deixá-lo passar e extrair o que ele tem de melhor!!
25.5.06
Grande Mário Quintana
Morrer, que me importa?
O diabo é deixar de viver!!
A morte é a libertação total:
A morte é quando a gente pode, afinal
Estar deitado de sapatos...
E todos esse aí, que estão
atravancando meu caminho
Eles passarão
Eu, passarinho
29.4.06
Velho Tema
Só a leve esperança em toda a vida
Disfarça a pena de viver, mais nada
Nem é mais a existência resumida
Que uma grande esperança malograda.
O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida
É uma hora feliz, sempre adiada
E que não chega nunca em toda vida.
Essa felicidade que supomos
Árvore milagrosa que sonhamos
Toda arreada de dourados pomos,
Existe sim, mas nós não a alcançamos
Porque está sempre onde a pomos
E nunca a pomos onde nós estamos Vicente de Carvalho
25.2.06
in aeternum
23.12.05
1017...1-4
13.11.05
A primeira vez
Uma onda de idéias que mesmo vindo forte morria antes mesmo de chegar ao seu destino. O que dizer, como dizer e o que vão pensar se misturam num turbilhão de pensamentos impedindo qualquer raciocínio lógico e concluso. O coração batendo acelerado e a boca seca. Olho para o teclado pois quem sabe ele me diga o que escrever. Ele não diz.
O tempo passa e a ansiedade aumenta. Mas começo a lembrar de quantas vezes me senti assim.Percebo que foram muitas e diferentes situações mas com algo em comum: primeiro dia na escola,o primeiro beijo ,o primeiro filho.
Agora fico aliviada pois sei que esta não é e nem será a última vez que me sinto assim.
É apenas a minha primeira vez....